Ainda rouco após a vitória de ontem – mais um 1 a 0 suado e enervante, embora categórico (é, existe 1 a 0 categórico) sobre o Cruzeiro como os outros que postei -, volto à polêmica – já encerrada – dos cartões amarelos “forçados” por Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves com dois trechos retirados de edições antigas da Placar, ambas de 1984, para apreciação do sujeito lá do STJD que disse “nunca ter visto isso” no futebol.

Nenhum trecho fala diretamente do Flamengo, mas ambos retratam casos idênticos. O primeiro diz respeito ao Fluminense, na partida contra a Portuguesa, pela terceira fase do Brasileiro daquele ano.

“Incansável no apoio ao meio-campo e irresistível no ataque (…), Tato, 23 anos, desempenhava a importante função de terceiro homem no meio-campo. (…) Consciente do seu papel, [o técnico tricolor Carlos Alberto] Parreira pediu-lhe que forçasse o terceiro cartão no domingo, a fim de ficar de fora contra o Santo André, na quarta-feira, num jogo que só tem importância para o adversário, e poupar suas energias e talento. Artifício idêntico foi aplicado com o meia Assis. De modo que os dois retornarão descansados e sem cartões pendentes na quarta fase”. (“Cariocas fazem a festa”, Placar, 27 de abril de 84, pág. 7)

Já o outro cita o São Paulo, e o zagueiro Oscar, de seleção brasileira.

“Nesta gangorra do Campeonato Paulista, no sobe e desce de líderes, quem mais acabou caindo na semana foi o São Paulo. Na quarta-feira, empatou com o Juventus (1 x 1), num jogo em que o zagueiro Oscar, às vesperas de seu casamento, pediu ao juiz José de Assis Aragão para receber o terceiro cartão amarelo e ser suspenso da partida de sábado contra o Taubaté”. (“Uma gangorra para quatro”, Placar, 5 de outubro de 84, pág. 6)

Como se vê, esse hábito vem desde que o mundo é mundo, ou pelo menos desde que os cartões foram inventados. Não é exatamente bonito, mas é perfeitamente justificável, partindo do princípio de que uma equipe pode definir prioridades, conforme as dificuldades se apresentam (e o Santos, por exemplo, não “menosprezou” seus adversários no início do Brasileiro quando poupou os titulares para a Libertadores?). Diante disso, a dúvida que fica é se o Procurador do STJD foi hipócrita ou apenas desinformado mesmo.

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