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Zico enfrenta Carlos Alberto no grande duelo de monstros de 1976. Ao fundo, observam Marciano, Givanildo e Adílio.

A polêmica vem desde a Era Dunga, e se estende graças ao fraco desempenho da Seleção Brasileira sob o comando de Mano Menezes: Ronaldinho Gaúcho ainda tem lugar no time canarinho, neste complicado momento de renovação no escrete nacional?

O que temos visto são promessas pagando o preço do oba-oba e de terem queimado etapas que poderiam ter ajudado a ganhar a tarimba necessária pra vestir a amarelinha. Enquanto isso, assistimos a seguidas exibições fulgurantes do novo camisa 10 da Gávea. Daí o povo se pergunta se o dentuço pode ser o cara de novo. E os rubro-negros matutam se não seria melhor deixá-lo quietinho no Fla, coisa nossa, bem como outros “selecionáveis” do clube.

Levantamos a bola, mas a passamos. Já há tipo uns 300 blogs discutindo a mesma coisa. Na briga Fla x Seleção, nosso interesse aqui é outro: lembrar que eles já se enfrentaram dentro das quatro linhas por duas vezes. E os rubro-negros levaram a melhor sempre.

Desfalcado, Fla bate a Seleção a caminho da Suécia em 58

A primeira vez aconteceu em 1958. Em 11 de maio, pouco menos de um mês antes de sua estreia na Copa do Mundo da Suécia – a qual conquistaria – a Seleção, contando com 20 dos 22 jogadores que seriam convocados para aquele Mundial, fez um jogo-treino contra o Fla no Maracanã. O time rubro-negro atuou desfalcado do meia Moacir, dos pontas Joel e Zagallo e do ponta-de-lança Dida, que defenderam a equipe canarinho no segundo tempo.

Na primeira etapa, que terminou sem gols, a Seleção de Vicente Feola atuou com a equipe reserva: Castilho; Djalma Santos, Mauro, Orlando e Oreco; Roberto Belangero e Pelé; Garrincha, Mazzola, Canhoteiro e Pepe. Já o Fla, treinado por Fleitas Solich, alinhou Fernando; Joubert e Milton Copolillo; Jadir, Dequinha e Jordan; Babá, Duca, Henrique, Luis Carlos e Alfredinho.

Na volta do intervalo, pelo lado do escrete canarinho, jogaram os titulares, incluindo os quatro rubro-negros: Gilmar; De Sordi, Bellini, Zózimo e Nilton Santos; Dino Sani e Moacir; Joel, Vavá, Dida e Zagallo. Enquanto Solich promoveu quatro alterações: Jadir, Dequinha, Duca e Henrique deram lugar a Tomires, Carlinhos (ele mesmo, o Violino, futuro técnico do time), Adalberto e Manuelzinho, respectivamente.

E foi este último que deu a vitória ao Fla, logo aos seis minutos da etapa final, ao apanhar uma sobra da entrada da área e bater forte para o gol, sem chances para Gilmar.

Vale destacar que dois jogadores que atuaram pelo time da Gávea nesta partida já haviam vestido a amarelinha: Dequinha (que chegou a disputar a Copa de 54) e Jadir, que participou de seis jogos no ano anterior. Além destes, o centroavante Henrique estrearia na Seleção no ano seguinte e quase disputaria o Mundial de 62, sendo cortado de última hora, a exemplo de Carlinhos, outro que defendeu o escrete.

Dez dias depois da derrota para o Fla, a Seleção golearia o Corinthians por 5 a 0 em amistoso no Pacaembu.

Na homenagem a Geraldo, a vitória sobre os campeões de 70

A segunda partida foi motivada por um fato mais triste: a homenagem ao jovem meia rubro-negro Geraldo, então recém-falecido (e que, em breve, ganhará um post aqui). O jogo também foi disputado no Maracanã, no dia 6 de outubro de 1976, e terminou com a vitória rubro-negra por 2 a 0, gols de Paulinho e Luis Paulo logo no começo do jogo, explorando a velocidade dos dois ponteiros, que marcaram aos quatro e aos dez minutos, respectivamente.

O Fla vestiu calções negros, antigamente utilizados apenas em sinal de luto, como nos jogos subsequentes à morte do presidente Gilberto Cardoso, em 1955. O time era comandado há pouco menos de um mês pelo então novato (e também já falecido) Cláudio Coutinho, que substituiu no cargo o veterano Carlos Froner (gaúcho como seu sucessor, e considerado o mestre de Felipão).

Desfalcado do lateral Toninho, Coutinho levou a campo o seguinte time titular: Cantarelli; Dequinha (não é o mesmo de 1958), Rondinelli, Jaime e Júnior; Merica, Tadeu Ricci e Zico; Paulinho, Luisinho Lemos e Luis Paulo. Durante a partida, foram lançados garotos como os meias Andrade (que atuou na zaga) e Adílio, os pontas Júnior Brasília e Júlio César “Uri Geller”, além do zagueiro argentino Paolino, dos meias Dendê e Zé Roberto (este vindo do Fluminense no troca-troca que envolveu os clubes do Rio no início daquele ano) e do folclórico centroavante Marciano, que se tornaria um cigano da bola.

Para homenagear Geraldo, a Seleção trouxe de volta vários campeões do mundo em 1970 no México, inclusive Pelé, que veio dos Estados Unidos, onde na época defendia o New York Cosmos. Dos titulares de 70, apenas Gérson, Tostão (ambos já tinham encerrado a carreira), Everaldo (falecido dois anos antes) e Brito (já em fim de carreira, curtindo um ostracismo no Democrata de Governador Valadares-MG) não atuaram, mas treze atletas daquela campanha marcaram presença.

Comandado excepcionalmente por Mário Travaglini – então treinador do Fluminense, que substituiu o “titular” Oswaldo Brandão, que se recuperava de cirurgia – o time canarinho alinhou Félix; Carlos Alberto Torres, Marinho Peres, Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo, Rivelino e Paulo César Caju; Jairzinho, Pelé e Edu. Já o time que terminou o jogo foi este: Leão; Zé Maria, Beto Fuscão, Wladimir e Rodrigues Neto; Givanildo, Ademir da Guia e Neca; Gil, Dario e Valdomiro.

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Diante disso, fica a ideia: bem que o time de Mano poderia resolver o dilema R10 em campo, encarando o Fla num amistoso tira-teima. Alguém aí aposta na Seleção?

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