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Dida, ídolo de Zico e dono da camisa 10 do Fla entre 1955 e 1963, marcou os dois gols do primeiro confronto com o Barcelona.

Recém-coroado novamente campeão do mundo, o time do Barcelona comandado em campo por Lionel Messi e fora dele por Josep Guardiola chama a atenção do planeta há algumas temporadas por sua forma de jogar: passes precisos, toques sempre de pé em pé e pressão na saída de bola adversária, alem da extrema qualidade técnica de todos os seus jogadores. Assim, a equipe catalã já teve seu estilo comparado ao do Flamengo de 1981, fazendo com que muitos fãs de futebol imaginassem o que aconteceria se os dois esquadrões pudessem estar frente a frente.

Se um tira-teima entre o Messi de 2011 e o Zico de 1981 é impossível, por motivos óbvios, é sempre bom lembrar que Flamengo e Barcelona já se enfrentaram – em outros tempos, com outros grandes craques. E fizeram grandes confrontos, quase sempre com vantagem para os Rubro-Negros, que venceram três dos quatro jogos. Vamos relembrá-los um por um agora.

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A história do duelo começa em 30 de abril de 1962. O primeiro confronto foi a oitava partida de uma extensa excursão Rubro-Negra pelo mundo que durou três meses e 22 jogos, cruzando a Europa de ponta a ponta (da Itália à Noruega, da Espanha à União Soviética) e ainda atravessando o Mediterrâneo rumo a Tunísia e Gana, no continente africano.

Em Barcelona, os blaugranas receberam o Flamengo com o que tinham de melhor: os zagueiros Rodri e Segarra e o lateral-esquerdo Gracia estariam meses depois na Copa do Mundo do Chile com a Fúria. Além deles, nomes como Fusté, Pereda e Zaballa seriam recorrentes em futuras seleções espanholas. Mas o craque jogava na frente: nada menos que Sándor Kocsis, centroavante da fabulosa Hungria da Copa de 1954, artilheiro daquele Mundial com 11 gols.

No Fla, havia Joubert e Jordan nas laterais. Jadir era o desfalque no setor defensivo. Nelsinho era o meia-armador, mas não teria a seu lado Carlinhos, o Violino, que não excursionara. Na frente, não havia Germano, ponta-esquerda convocado para a Seleção, mas estavam lá Joel, Henrique e o ponta-de-lança Dida, outros três que já haviam vestido a amarelinha.

E foi o camisa 10, ídolo do garoto Zico, quem marcou os dois gols da vitória Rubro-Negra por 2 a 0. Com categoria, Dida marcou aos 19 e aos 33 do primeiro tempo, sob aplausos dos catalães.

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Cinco anos depois, em 26 de junho de 1967, os dois times voltaram a se enfrentar, novamente na Espanha, mas desta vez na cidade de Badajoz, pelo Troféu Ibérico. Além de Fla e Barça, o Sporting de Lisboa completou o triangular, e o conquistou.

O time da Gávea vivia um de seus piores anos e fazia uma excursão desastrosa pelo Velho Continente. Para piorar, entraria em campo desfalcado do centroavante Ademar “Pantera”, um dos poucos que se salvavam naquela temporada. Ironicamente, foi seu substituto, um garoto chamado Fio, o autor do único gol, logo no primeiro minuto.

No fim, o Fla teve o ponteiro Rodrigues expulso e precisou conter a pressão do Barça – que precisava virar o placar para tentar o título -. mas saiu de campo com a vitória. Foi uma despedida honrosa para o carismático técnico argentino Armando Renganeschi, que deixou o clube o qual havia conduzido ao título carioca dois anos antes.

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Logo no ano seguinte, em 22 de agosto, veio o terceiro confronto – e a única derrota Rubro-Negra. Foi na decisão do Troféu Joan Gamper, no Camp Nou. Nas semifinais, o Fla vinha de vitória sobre o Athletic Bilbao por 1 a 0, gol de Silva, enquanto o Barça havia feito 3 a 0 sobre o Werder Bremen.

Na decisão, Palau abriu o placar para os donos da casa aos 13 minutos. Fio empatou aos 22. O mesmo Palau voltou a colocar o Barça na frente aos 30, e o ponta Zélio deixou tudo igual novamente a quatro minutos do intervalo.

Na etapa final, Mendoza fez 3 a 2 para os blaugranas aos sete. O baiano Néviton, que havia entrado no lugar de Fio, igualou pela terceira vez aos 13. Os catalães distanciaram quando Fusté e Mendoza, de novo, marcaram o quarto e o quinto aos 20 e 23, respectivamente. Silva chegou a descontar aos 34, mas o Fla não teve forças para buscar um novo empate. O Barça venceu por 5 a 4 e levantou o caneco diante de sua torcida.

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Depois de três confrontos em seis anos, os dois clubes só voltariam a medir forças em 25 de agosto de 1979, pelo prestigioso Torneio Ramón de Carranza, em Cádiz. O Barça havia conquistado recentemente a Recopa Europeia, e contava com craques como o dinamarquês Allan Simonsen, o austríaco Hans Krankl (artilheiro do Campeonato Espanhol da temporada anterior, e Chuteira de Ouro da Europa em 1978), além dos espanhois Asensi, Migueli e Rexach, titulares da seleção.

Do outro lado, porém, estava um Flamengo com craques em quantidade generosa para não se impressionar com o cartel e o elenco do adversário: Cantarele; Toninho, Manguito, Nélson e Júnior; Andrade, Carpegiani (Adílio) e Zico; Tita, Cláudio Adão (Beijoca) e Júlio César (Reinaldo).

O time arranjou um lugar na agenda em meio à disputa do segundo Campeonato Estadual daquele ano (ao fim do ano seriam ao todo 82 partidas, entre jogos oficiais e amistosos) para excursionar pela Europa. Mas nem o cansaço nem o fato de jogar longe de sua torcida fez o Flamengo se intimidar. Tanto que logo aos dois minutos, o ponta-esquerda Júlio César Uri Geller (que terminaria o torneio chamado de “novo Garrincha” pelos espanhóis) deixou dois zagueiros do Barça para trás, antes de concluir, abrindo o placar.

O toque de bola rubro-negro envolvia a dura defesa do Barça, e o Fla perdia seguidas oportunidades, até que, aos 39, veio o segundo gol, com Zico em uma de suas especialidades: uma cobrança de falta perfeita na gaveta do goleiro Amigo.

Com boa vantagem no placar, o Fla voltou para o segundo tempo tranquilo, de novo tocando a bola, e se poupando, já que voltaria a campo no dia seguinte pela mesma competição. O relaxamento acabou levando ao gol de honra do Barcelona, marcado pelo ponta Esteban, mas em momento algum o time treinado por Cláudio Coutinho foi ameaçado mais seriamente. Depois deste banho de bola, o time de Zico venceria os húngaros do Ujpest na decisão, levantando a primeira taça do Ramón de Carranza da história do clube.

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