Tags

, ,

Camisa Adidas ZicoNeste 1º de maio de 2013 entra enfim em vigor o contrato de fornecimento de material esportivo da Adidas com o Flamengo. Além da vultosa verba que deixará nos cofres do clube e da ampla divulgação da marca Flamengo, a empresa alemã tinha sua volta ansiosamente aguardada pelos torcedores rubro-negros por uma questão afetiva: foi com seu símbolo no peito, no lado oposto ao CRF, que o Mais Querido viveu o período mais vitorioso de sua história.

Gávea, 1979. Com a presença ilustre de Pelé, o Fla posa durante o treino vestindo Adidas.

Gávea, abril de 1979. Com a presença ilustre de Pelé, o Flamengo posa durante o treino vestindo Adidas.

Desde o fim da década de 70, a Adidas já fornecia material de treino ao clube. A camisa de jogo, no entanto, era fabricada por marcas como as nacionais Athleta e Hering. O logotipo com as três listras da marca alemã apareceria pela primeira vez no uniforme oficial do Flamengo no dia 3 de agosto de 1980, na partida contra o Vasco válida pela última rodada da Taça Guanabara, que naquele ano foi disputada como um torneio à parte do Estadual.

O modelo foi desenhado por Elsa Braga, esposa do então presidente rubro-negro Márcio Braga, e trazia alterações significativas em relação ao velho uniforme. Na camisa número um as listras estavam mais largas, enquanto na dois, o modelo branco, elas haviam passado do peito para os ombros e mangas. E o calção ganhou listras laterais (rubro-negras no modelo branco e brancas na versão preta).

“Além de mais bonito, este uniforme facilitará a identificação dos números, principalmente o uniforme número dois, já que as listras foram deslocadas para as mangas e não se confundirão com os números”, disse Elsa ao Jornal do Brasil na véspera da estreia. Aos torcedores supersticiosos, com receio da mudança no uniforme, ela mandou um recado: “Quem tem um time como o nosso não liga para superstição”.

O jogo de estreia da marca Adidas: Júnior e Mozer carregam a Taça Guanabara de 1980, vestindo o modelo branco.

O jogo de estreia da marca Adidas: Júnior e Mozer carregam a Taça Guanabara de 1980, vestindo o modelo branco.

De fato. Mesmo sem Zico, o Flamengo levantou a Taça Guanabara após empate sem gols com os cruzmaltinos (o Americano foi o surpreendente vice-campeão). Como curiosidade, o time jogou com o modelo branco, enquanto o Vasco vestiu o uniforme preto.

Dali a algumas semanas, a camisa conquistaria na Espanha seus primeiros títulos fora do país: o Troféu Príncipe Felipe de Astúrias e Algarve, ou Cidade de Santander – no qual o Flamengo venceu a Real Sociedad (que partiria dali para um bicampeonato espanhol) e os búlgaros do Spartak Sofia -, seguido pelo bicampeonato do Troféu Ramón de Carranza, em Cádiz – quando os rubro-negros bateram o Dínamo Tbilisi, base da seleção soviética, e o Bétis.

A enxurrada de conquistas continuou pelo ano seguinte: Torneio de Nápoles, mais uma Taça Guanabara, Taça Libertadores da América (ainda que, irônicamente, o Fla tenha vestido uma camisa sem o logo da fornecedora justamente no jogo final contra o Cobreloa em Montevidéu), Campeonato Carioca e o Mundial Interclubes em Tóquio. Em 1982, mais um Brasileiro e o penta da Taça Guanabara. E em 1983, o tri nacional, além do título da Taça Rio. Nestes primeiros anos, a camisa praticamente não sofreu alteração nítida.

Mozer em campo com o modelo 1984 do escudeto de campeão brasileiro.

Mozer em campo com o modelo 1984, o do escudeto de campeão brasileiro.

No começo de 1984 veio a primeira mudança: a camisa ganhou gola pólo, em lugar da em “V” do modelo anterior. Ainda naquele ano, duas outras novidades, uma efêmera e outra bastante duradoura: a primeira foi um escudeto, à moda italiana, identificando o clube como o atual detentor do título nacional. Durou apenas algumas partidas. Já em 8 de abril veio o primeiro patrocínio de camisa, da Petrobras, que expôs a marca “Lubrax” na frente a partir do jogo em que o Fla derrotou o America por 3 a 0 pelo Campeonato Brasileiro. O curioso é que, assim como na partida que havia inaugurado o logotipo da Adidas, quatro anos antes, o time usou seu uniforme número dois, com camisa branca.

Edmar enfrenta o Santos no Morumbi no duelo pelo Brasileiro de 84.

O atacante Edmar veste o primeiro modelo com patrocínio Lubrax.

Outra curiosidade é que, nessa primeira versão do patrocínio da empresa petroleira, a marca do lubrificante automotivo vinha escrita em preto dentro de um retângulo amarelo, que também durou apenas algumas partidas. O traje “definitivo” viria com letras brancas dentro de uma das faixas pretas da camisa.

Com ou sem patrocínio ou escudeto, porém, este desenho da camisa foi o menos vitorioso de todos os modelos da Adidas vestidos pela equipe: conquistou apenas a Taça Guanabara de 1984 e a Taça Rio no ano seguinte.

Faltava um detalhe. As três listras nos ombros, tradicionais nas camisas da fornecedora, só estreariam em 6 de julho de 1986, na vitória por 2 a 1 sobre o Olaria na Rua Bariri, em jogo pelo segundo turno (Taça Rio) do Estadual. Aquela camisa manteve a gola pólo e também trouxe por um curto período a inscrição “90 anos” nas mangas, em homenagem ao nonagésimo aniversário de fundação do clube, completado em novembro de 1985.

O time de 1987, já com as três listras nos ombros.

O time de 1987, já com as três listras nos ombros.

Ao contrário do modelo anterior, a nova versão trouxe de volta da primeira a fama de pé-quente: logo de cara arrebatou a Taça Rio e o Estadual. Levaria ainda o Brasileiro de 1987, a Copa do Brasil em 1990, o Carioca em 1991 e a Copa Rio no mesmo ano, além de inúmeros torneios internacionais nos quatro cantos do mundo.

Na África, levou o Torneio Air Gabon e o de Luanda, em Angola, ambos em 1987; na Ásia, conquistou a Copa Kirin, no Japão, em 1988; na Europa, venceu o Troféu Colombino, em Huelva (Espanha), no mesmo ano e o Torneio de Hamburgo, na Alemanha, no ano seguinte. Voltou ao Japão e ao Estádio Nacional de Tóquio em 1990 para faturar a Copa Sharp, e em seguida embarcou para os Estados Unidos, onde levaria a Copa Marlboro, na grama sintética do Giants Stadium, em New Jersey.

O time campeão da Copa São Paulo de juniores em 1990 também vestiu Adidas.

Os campeões da Copa São Paulo de juniores em 1990 vestiam Adidas.

A temporada de 1992 é a última em que a marca das três listras veste o rubro-negro, e é devidamente coroada com mais um título brasileiro, em julho, diante do Botafogo. Pouco menos de um mês depois, no dia 12 de agosto, veio a conquista derradeira: a Taça dos Campeões, oferecida pela cervejaria Brahma, na qual o Flamengo enfrentou o Paraná, campeão brasileiro da Série B, em jogo único no estádio Durival de Britto, em Curitiba. Após empate em 2 a 2 no tempo normal, deu Mengão nos pênaltis.

Em 9 de setembro, o Flamengo se despedia da Adidas vencendo o America por 3 a 1, em jogo pelo primeiro turno (Taça Guanabara) do Estadual de 1992. Após ter sido sondado pela italiana Kappa no começo do ano, o clube acabou fechando com a inglesa Umbro, que na época também era fornecedora oficial da Seleção Brasileira.

Agora, vinte anos depois, o Flamengo retoma a parceria. A marca que fez história vestindo Zico, Júnior, Leandro, Nunes, Adílio, Andrade, Tita, Mozer, Lico, Marinho, Bebeto, Jorginho, Renato Gaúcho, Sócrates, Edinho, Zinho, Aldair, Leonardo, Paulo Nunes, Marcelinho, Djalminha, Nélio, Gaúcho, além dos goleiros Raul, Cantarele, Fillol, Zé Carlos e Gilmar e de tantos outros craques está de volta à Gávea. Prenúncio de novas conquistas?

Anúncios