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O time da final contra o Goiás no Serra Dourada. Em pé: Junior, Zé Carlos, Rogério, Vitor Hugo, Aílton e Piá; Agachados: Renato Gaúcho, Gaúcho, Bobô, Zinho e Uidemar.

O time da final contra o Goiás no Serra Dourada. Em pé: Junior, Zé Carlos, Rogério, Vitor Hugo, Aílton e Piá; Agachados: Renato Gaúcho, Gaúcho, Bobô, Zinho e Uidemar.

Há exatos 25 anos o Flamengo segurava um empate sem gols diante do Goiás – aliás, adversário deste domingo pelo Brasileiro – no Serra Dourada e levantava a primeira de suas três taças da Copa do Brasil. Ao contrário dos dias atuais, nos quais é uma competição empolgante para os torcedores e visada pelos clubes, tachada de “caminho mais curto para a Libertadores”, o torneio não tinha nenhum prestígio em seus primeiros anos. Tanto é que esta edição de 1990 começou na pior das horas, em meio à realização da Copa do Mundo da Itália. Caótica em termos de datas, com os times jogando “quando dava”, a competição se estendeu de junho a novembro daquele ano, atravessando também as fases finais dos estaduais e parte do Campeonato Brasileiro. Mas quem levou o torneio a sério chegou longe. Goiás e Criciúma fizeram bom papel, derrubando gigantes; o Náutico também chegou à semifinal; e o Rubro-Negro levantou o título com sobras, invicto, merecidamente.

A conquista serviu também para trazer alento em um ano complicado para o clube. Depois de se ver fora da fase final de um Estadual pela primeira vez em dez anos e amargar a quarta colocação sem vencer nenhum clássico, o Flamengo teria que lidar com algumas perdas: Zico havia se aposentado (o decepcionante Edu Marangon vestira a 10 naquele pálido Estadual, mas já tinha se mandado); Leandro perdeu a batalha contra os problemas nos joelhos e também pendurou as chuteiras; Junior havia pensado no mesmo (mas desistido, felizmente), porém de qualquer modo não teve um ano tão fulgurante como seriam seus dois seguintes. Ainda não era o “Vovô Garoto”.

RenatoO elenco, dirigido desde maio por Jair Pereira e frequentemente reformulado ao longo da temporada, praticamente se dividia entre a molecada campeã da Copa São Paulo em janeiro procurando um lugar no time e jogadores trazidos de equipes menores ou veteranos em busca de novos ares, mas os dois últimos quase sempre sem muita identificação com o clube. O líder do grupo era Renato Gaúcho, maior salário do futebol brasileiro, rebelde, falastrão, temperamental, mas que vivia momento mais solidário: era quem comprava as brigas dos jogadores em decisões questionáveis da diretoria, quase como um capitão sem braçadeira. Era uma química estranha (tão estranha quanto a presença de Francisco Horta, ex-presidente do Fluminense, no cargo de gerente de futebol rubro-negro) e que nem sempre funcionava, mas que teve nesse torneio seu momento mais marcante e vitorioso.

PRIMEIRA FASE:
Flamengo 5×1 Capelense-AL (Moça Bonita – 21/06/90)

Disputado no longínquo estádio do Bangu numa noite de quinta-feira, dia seguinte à vitória magra do Brasil sobre a Escócia pela Copa do Mundo, o jogo de ida contra o Capelense – surpreendente campeão alagoano do ano anterior, derrubando a duradoura hegemonia da dupla CSA-CRB – atraiu apenas 188 torcedores, o menor público da história do Flamengo em partidas oficiais até então.

Sem o goleiro Zé Carlos (substituído pelo xará e reserva Zé Carlos Paulista) e o ponta Renato Gaúcho, ambos na Itália com a Seleção de Lazaroni, o Flamengo tinha novidades: o lateral Zanata (cria da base do Botafogo, mas revelado para o futebol brasileiro pelo Bahia em 1986) e o zagueiro Vitor Hugo (vindo do Guarani, trocado pelo ponta Sérgio Araújo) faziam sua estreia em jogos oficiais na partida.

Mesmo com o time escalado em um inexplicável esquema com três zagueiros diante do Capelense em casa, a fragilidade do adversário era tão grande que a goleada veio naturalmente. O único susto aconteceu quando o adversário marcou de falta e empatou a partida em 1 a 1. Mas Gaúcho – consagrado artilheiro do Carioca mesmo com o Fla fora do Estadual – marcou três vezes e Leonardo e o estreante Zanata completaram o placar.

Time: Zé Carlos Paulista; Zanata, Vitor Hugo, André Cruz, Fernando e Leonardo; Aílton (Uidemar), Djalminha (Marcelinho) e Zinho; Alcindo e Gaúcho.

Capelense-AL 0x4 Flamengo (Estádio Manoel Moreira, Capela-AL – 05/07/90)

Duas semanas depois, o Flamengo foi ao interior alagoano e venceu novamente com tranquilidade. Zinho abriu o placar no primeiro tempo e ampliou na etapa final, antes de Alcindo e Marcelinho completarem a goleada. Como previsto, vaga assegurada sem sustos.

Surpresas mesmo naquela primeira fase do torneio foram as vitórias do Goiás sobre o Cruzeiro – com direito a goleada implacável de 4 a 0 no Serra Dourada – e do Criciúma sobre o Internacional – devolvendo a derrota pelo placar mínimo no Beira-Rio com um 2 a 0 em Santa Catarina. Ainda se ouviria falar muito destes dois times naquela competição.

Time: Neneca; Zanata, Vitor Hugo, Fernando e Leonardo; Uidemar, Aílton e Djalminha (Marcelinho); Alcindo, Gaúcho e Zinho.

OITAVAS DE FINAL:
Flamengo 2×0 Taguatinga (Gávea – 10/07/90)

Dois dias após o encerramento da Copa do Mundo da Itália, o Flamengo adentrou o gramado da Gávea pelas oitavas de final da Copa do Brasil recebendo o brasiliense Taguatinga, surpresa da fase anterior ao eliminar o Vitória, bicampeão baiano, vencendo as duas partidas por 1 a 0.

Zinho enfrenta o Taguatinga

Mesmo mal na criação, o Flamengo desperdiçou chances (Gaúcho bateu um pênalti para fora) e só abriu o placar no fim do primeiro tempo em chute cruzado de Leonardo. Na etapa final, Gaúcho se reabilitou da penalidade perdida e ampliou de cabeça, após cobrança de escanteio.

Insatisfeito com o rendimento do meio-campo, no qual o jovem Djalminha não conseguia mostrar dinamismo e objetividade na função de municiar o ataque, o técnico Jair Pereira pedia reforços. E o clube sondava o meia-esquerda boliviano Ramiro Castillo, do Argentinos Juniors, e consultava o São Paulo sobre uma eventual negociação com Raí ou Bobô.

Time: Neneca; Zanata, Vitor Hugo, Fernando e Leonardo; Uidemar, Aílton e Djalminha (Marcelinho); Alcindo, Gaúcho e Zinho.

Taguatinga 1×1 Flamengo (Serejão, Brasília – 15/07/90)

Renato Gaúcho enfim voltou ao time neste jogo, mas, sem ritmo, teve atuação discreta. Zé Carlos, negociando renovação de contrato, foi substituído pelo outro reserva, Neneca. Com Djalminha barrado, Zinho vestia a 10, com Alcindo e a dupla de gaúchos formando o trio ofensivo.

A partida de volta não foi melhor do ponto de vista técnico. As duas equipes criaram poucas chances no primeiro tempo e ameaçaram mais na etapa final, quando os gols saíram. Aos 36, Leonardo aproveitou lançamento de Zinho para a área e chutou cruzado, marcando seu último gol em sua primeira (e maior) passagem pelo clube. Os brasilienses empataram aos 43 com o zagueiro Chiquinho, de cabeça.

Time: Neneca; Zanata, Vitor Hugo, Fernando e Leonardo; Uidemar, Aílton e Zinho; Renato Gaúcho, Gaúcho e Alcindo.

QUARTAS DE FINAL:
Bahia 1×1 Flamengo (Fonte Nova – 25/07/90)

O Bahia avançou às quartas de final depois de eliminar o Botafogo, campeão carioca e prestes a conquistar o bi dali a algumas semanas. E tinha outras credenciais: havia sido campeão brasileiro um ano e meio antes, feito boa campanha na Libertadores de 1989 e agora se reestruturava para fazer outro bom papel no Brasileiro que começaria no mês seguinte – chegaria às semifinais. Por isso, botava banca: “Derrotar o Flamengo é bem mais fácil que o Botafogo”, afirmava seu presidente Paulo Maracajá.

BobôCuriosamente, foi a um ex-ídolo do Bahia que o Rubro-Negro recorreu para tentar solucionar seu problema na criação de jogadas: o meia Bobô foi apresentado na Gávea na antevéspera do jogo da ida, na Fonte Nova, juntamente com o lateral-esquerdo Nelsinho, ambos vindos do São Paulo, numa troca – operação bem ao feitio de Francisco Horta – por Leonardo e Alcindo até o fim do ano, arquitetada enquanto os dois clubes estavam no Chile disputando a Taça da Amizade.

Nenhum dos dois reforços, no entanto, entrou em campo nas partidas contra o Bahia. Para o jogo de Salvador, as únicas novidades eram a volta de Zé Carlos, o titular, ao gol; e de Junior, que depois de renovar contrato, ficaria no banco de reservas – o que gerou uma pequena celeuma dentro clube, com críticas a Jair Pereira, mas foi bem aceito pelo jogador, que reconheceu estar fora de forma.

Na Fonte Nova, o Flamengo fez sua melhor partida não só na Copa do Brasil até então, como também em alguns meses. Com atuação segura e convincente, o time abriu o placar aos 36 minutos quando Zanata arrancou pela direita e cruzou rasteiro para o complemento de Zinho, de pé direito, no segundo pau. Aos 42 minutos, porém, o time da casa empatou em cabeçada de Luis Fernando, encobrindo um adiantado Zé Carlos.

Mesmo assim, a vitória rubro-negra poderia ter vindo dois minutos depois, se o árbitro pernambucano Aristóteles Cantalice não tivesse anulado gol legal de Gaúcho marcando falta inexistente do centroavante sobre o zagueiro Vágner Basílio. Para completar, perto do fim do jogo o juiz ainda expulsou Renato Gaúcho, após ver uma suposta agressão do ponta ao lateral Cléber.

Time: Zé Carlos; Zanata (Rogério), Vitor Hugo, Fernando e Piá; Uidemar, Aílton e Djalminha (Junior); Renato Gaúcho, Gaúcho e Zinho.

Flamengo 1×0 Bahia (Estádio Municipal, Juíz de Fora-MG – 28/07/90)

Sem Renato Gaúcho, mas com Junior de volta entre os titulares, o Flamengo recebeu o Bahia – único adversário contra quem o rubro-negro decidiu o mata-mata em casa em toda a campanha – em Juiz de Fora, cidade mineira com presença maciça de torcedores dos clubes cariocas. No entanto, o jogo foi mais equilibrado que o de Salvador (dominado pelo Fla).

Gaúcho encara o Bahia.Cada time acertou a trave uma vez – Hélio para o Bahia no primeiro tempo, Vitor Hugo para o Flamengo na etapa final. E cada time teve um jogador expulso: o tricolor Cléber, após entrada dura em Bujica, e o rubro-negro Fernando Cruz (que havia entrado em campo no lugar do próprio Bujica) por acertar um tapa em Luís Fernando.

Quem selou definitivamente a classificação rubro-negra (já que o 0 a 0 também garantia a vaga) foi outro jogador saído do banco: barrado com o retorno de Junior, o volante Aílton marcou de cabeça o gol da vitória, a nove minutos do fim, depois que Zinho recebeu passe pela ponta esquerda e cruzou. Num lance muito semelhante a outro que aconteceria mais adiante no torneio, no mesmo estádio, no mesmo lado do campo, como veremos…

Time: Zé Carlos; Zanata, Vitor Hugo, Fernando e Piá; Uidemar, Junior, Djalminha (Aílton) e Zinho; Bujica (Fernando Cruz) e Gaúcho.

SEMIFINAL:
Flamengo 3×0 Náutico (Maracanã – 13/09/90)

Muita água rolou nos quase dois meses entre o jogo contra o Bahia em Juíz de Fora e este contra o Náutico. Enquanto aguardava as arrastadas definições dos outros confrontos da Copa do Brasil (pra se ter uma ideia, o já semifinalista Flamengo esperava o vencedor do confronto entre o alvirrubro pernambucano e o vencedor do duelo entre Santa Cruz e Remo ainda pelas oitavas de final), o time rubro-negro fez uma rápida volta ao mundo em busca de dólares e taças.

Em Tóquio, triturou o bom time da Real Sociedad por 7 a 0 na estreia de Bobô e faturou a Copa Sharp. Em New Jersey (EUA), levantou a Copa Marlboro após vencer a seleção americana do goleiro Tony Meola e o Alianza Lima peruano. Fez ainda amistosos na Itália antes de retornar ao Brasil para o Campeonato Brasileiro. A campanha no início da competição nacional, entretanto, esteve longe de ser boa: dois empates e duas derrotas nos quatro primeiros jogos.

Enquanto isso o lateral-direito Josimar, em baixa, era reintegrado ao elenco após disputar discretamente o Gauchão pelo modesto Novo Hamburgo, e Renato Gaúcho vivia em rota de colisão constante com Francisco Horta (que se referia ao ponta como “meu Frank Sinatra”). Na Copa do Brasil, Goiás e Criciúma voltariam a aprontar, eliminando respectivamente o Atlético-MG e o São Paulo – que, por sua vez, havia despachado o atual campeão Grêmio – e agora se enfrentariam em uma semifinal. Na outra jogariam Flamengo e Náutico.

Precisando levar um bom resultado para a volta no Recife e devendo uma boa atuação que desanuviasse o ambiente interno, o Flamengo partiu para cima e esmagou o time pernambucano nos 90 minutos do jogo de ida, o único da equipe no Maracanã em toda a campanha. No primeiro tempo, houve até uma bomba de Renato salva dramaticamente em cima da linha por defensor do Timbu. O placar foi aberto aos 28 minutos, quando Zanata cobrou falta lateral para a área, o goleiro Celso saiu mal, Rogério acertou a trave e Bobô apanhou o rebote.

Na volta do intervalo, o time ampliou a vantagem depois que o zagueiro Barros cometeu pênalti ao cortar com a mão um cruzamento que iria na medida para Gaúcho cabecear. O próprio centroavante converteu com força e categoria. No fim, o jovem zagueiro Rogério ainda marcou um golaço – seu primeiro como profissional – ao receber a bola ainda no campo rubro-negro, ganhar na corrida da defesa, driblar o goleiro e tocar para o gol vazio. Uma grande exibição do time. Pena que testemunhada por apenas pouco mais de três mil torcedores.

Time: Zé Carlos; Zanata (Josimar), Vitor Hugo, Rogério e Piá; Uidemar, Aílton e Bobô (Marcelinho); Renato Gaúcho, Gaúcho e Zinho.

Náutico 2×2 Flamengo (Aflitos – 16/10/90)

Nem mesmo o técnico adversário, Otacílio Gonçalves, acreditava que seu time pudesse pelo menos devolver o placar do Maracanã na partida de volta e eliminar o Flamengo. De fato, o Náutico chegou a sonhar com o impossível quando abriu o marcador logo aos 10 minutos com Haroldo, após escanteio. Mas quando Djalminha, agora sim brilhando, recebeu de Renato e fez um carnaval na defesa pernambucana para empatar aos 25, o impossível ficou ainda mais distante.

A esperança alvirrubra murchou de vez aos 45, quando Renato também fez seu próprio golaço, com técnica e força, bem ao seu estilo: aberto pela esquerda, enfiou a bola por entre as pernas de um marcador e, imparável, carregou vários defensores antes de chutar na saída do goleiro. No fim do jogo, Bizu empatou para salvar a honra dos locais. Mas a vaga na final era rubro-negra.

Time: Zé Carlos; Aílton, Vitor Hugo, Fernando, Rogério e Nelsinho; Junior (Marcelinho), Djalminha e Zinho; Renato Gaúcho (Nélio) e Gaúcho.

FINAL:
Flamengo 1×0 Goiás (Estádio Municipal, Juíz de Fora-MG – 01/11/90)

O Goiás, que vencera nos pênaltis o duelo dos “matadores de gigantes” contra o Criciúma na outra semifinal, era o adversário na grande decisão. Como trunfos, tinha o bom meia Luvanor – de passagem apagada pela Gávea em 1988 – e o ataque formado pelo rápido ponta Niltinho e os goleadores Túlio e Agnaldo. Era uma equipe promissora, que vinha de seguidas boas campanhas em campeonatos brasileiros, dirigida por Sebastião Lapola.

Os marcadores goianos fazem fila para tentar parar Renato.

Os marcadores goianos fazem fila para tentar parar Renato.

Na Gávea, o título valia a salvação do ano, já que a campanha no Brasileiro patinava (estranhamente, naquele ano o retrospecto rubro-negro como visitante foi superior ao de mandante). A empolgação propalada na chegada da excursão internacional em meados de agosto há muito já havia desvanecido. Nelsinho durara pouco na lateral-esquerda. Bobô vivia às voltas com lesões e não se firmava como camisa 10.

Para piorar, antigos destaques também vinham em baixa, como Zinho, aborrecido com a insistência de Horta em trazer para seu setor o ponta Paulinho Carioca (ex-Flu e quase descartado no Palmeiras), contrariando o restante da diretoria. O time ainda perdeu Uidemar, lesionado em um jogo contra o Atlético-MG pelo Brasileiro, mas o desfalque rendeu oportunidades a mais jovens campeões da Copinha, como Fabinho e Marquinhos.

Sem o Maracanã, interditado para vistoria estrutural por uma das primeiras de enésimas vezes a partir daí, o Fla se mudou de mala e cuia para Juíz de Fora. Pelo Brasileiro, venceu o Fla-Flu (disputado pelo segundo ano seguido na cidade mineira, depois dos 5 a 0 da despedida de Zico em 1989) mas decepcionou com derrotas para São Paulo e Grêmio. Bem no meio destes dois revezes, numa tarde de quinta-feira veio o primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil.

FernandoFoi um jogo lento, travado, ríspido, disputado sob forte calor e com o Goiás muito recuado, jogando claramente pelo empate (ou por derrota “reversível”). Túlio mal foi visto em campo, exceto por uma cabeçada bem longe do gol logo no início. De resto, o Flamengo se sobressaiu, quando conseguiu escapar da retranca esmeraldina. O gol nasceu aos 16 minutos do segundo tempo de uma falta de Richard em Piá, pela ponta esquerda do ataque rubro-negro. Djalminha bateu com categoria, colocando na cabeça do zagueiro Fernando, que testou para as redes.

No fim, o mesmo Fernando se viu no meio de uma confusão ao se estranhar com o ponta Cacau. Ambos foram expulsos, e a pausa foi pretexto para o árbitro Renato Marsiglia esticar o segundo tempo até os 51 minutos, sem maiores efeitos, porém. A vitória rubro-negra e a vantagem estavam asseguradas.

Time: Zé Carlos; Aílton, Vitor Hugo, Fernando e Piá (Rogério); Junior, Marquinhos (Zanata) e Djalminha; Renato Gaúcho, Gaúcho e Zinho.

Goiás 0x0 Flamengo (Serra Dourada – 07/11/90)

Junior vs GoiásAssim como a partida de ida, o jogo de volta no Serra Dourada também foi repleto de jogadas ríspidas. Renato Gaúcho chegou a levar um soco de Niltinho, em agressão covarde que passou em branco, nos minutos finais. Mesmo assim, e apesar da falta de gols, os bons lances também aconteceram de ambos os lados: o zagueiro goiano Richard salvou com um carrinho providencial uma grande oportunidade para o Flamengo em espetacular arrancada de Renato Gaúcho. E Zé Carlos fez milagres ao salvar com os pés um chute à queima-roupa de Agnaldo e outra grande chance com Túlio.

No fim, na bola e na raça, o Flamengo segurou o empate que lhe valeu o título e a vaga na Taça Libertadores do ano seguinte. E mais: conseguiu fazer sua defesa passar imbatível (mesmo desfalcada de Fernando) diante de um Goiás que havia marcado nada menos que 14 vezes nos quatro jogos anteriores em casa pelo torneio – e enfrentando adversários do porte de Cruzeiro e Atlético-MG.

Time: Zé Carlos; Aílton, Vitor Hugo, Rogério e Piá; Uidemar, Junior e Bobô (Nélio); Renato Gaúcho, Gaúcho (Marquinhos) e Zinho.

Desacreditado no início em uma competição desprestigiada, o Rubro-Negro acabou levantando um caneco histórico e injustamente pouco lembrado, talvez pelo contexto de incertezas vivido então pelo futebol do clube. Mas sem dúvida um grande título nacional, que recolocou o Flamengo na rota das grandes conquistas, e que teve trajetória importante o bastante para ser sempre contada.

Volta olímpica em Goiânia.

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