Tags

, , ,

HPIM0892.JPG

Envolto em dúvidas sobre o local onde mandará suas partidas em 2016, diante da impossibilidade de se contar com os dois principais estádios cariocas (Maracanã e Engenhão) pelo menos até o encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Flamengo vagueia como um nômade – ou um globetrotter – por várias cidades e estados brasileiros, em busca de um palco para se apresentar. Enquanto isso, lá mesmo na sede do clube, um gramado e uma arquibancada pedem a solução de um outro dilema.

Sinônimo de Flamengo desde o fim dos anos 1930, o estádio da Gávea – nome oficial: Estádio José Bastos Padilha – atravessou várias décadas em situação ambígua. Motivo de divergência interna quando obtido e de orgulho quando construído e inaugurado, cenário de títulos marcantes, jogado pra escanteio quando da migração para o Maracanã (“um estádio mais condizente com o tamanho da torcida rubro-negra”), reabilitado em caráter provisório, alvo de disputas burocráticas, motivador de novos projetos, impedido de exercer plenamente sua função. Para uns, obsoleto, arcaico, sem utilidade maior do que servir para treinamentos. Para outros, a verdadeira identidade e o futuro do clube. E de todo jeito, uma história que vale a pena ser contada.

A PROCURA POR UMA CASA

Fundado em 1895 no casarão número 22 (atual número 66) da Praia do Flamengo, o clube teve seu primeiro estádio próprio ali perto, na Rua Paissandu, em terreno arrendado junto à família Guinle e inaugurado no final de 1915, quatro anos depois de criada a seção de esportes terrestres. Jogando lá o clube conquistou os títulos cariocas de 1915 (apenas a última partida), 1920, 1921, 1925 e 1927. Entretanto, dentro de não muito tempo os dirigentes rubro-negros já admitiam aquela situação como provisória e trataram de procurar uma casa definitiva para o futebol do clube.

O antigo estádio rubro-negro na Rua Paissandu, no bairro Flamengo, utilizado entre 1915 e 1932.

O antigo estádio rubro-negro na Rua Paissandu, no bairro Flamengo, utilizado entre 1915 e 1932 (Foto: Revista Careta).

A princípio, o local mais cogitado para a construção da “praça de esportes” rubro-negra era a Praia Vermelha, na Urca (onde na época também ficava a sede do Sport Club Brasil, que disputava o Campeonato Carioca). Em 31 de janeiro de 1921, dirigentes do Flamengo se encontraram com o presidente da República, Epitácio Pessoa, que prometeu avaliar as possibilidades. Em maio daquele ano, o jornal “O Paiz” noticiou que o Flamengo chegara a firmar um termo de arrendamento, a título provisório, do terreno na Urca onde fora realizada a Exposição Nacional de 1908, comemorativa do centenário da abertura dos portos brasileiros às nações amigas. Mas questões burocráticas impediram o avanço das negociações.

Já pela metade da década, a família Guinle começou a pedir o terreno da Rua Paissandu de volta, ou então que o Flamengo o comprasse. Sem caixa para tanto, o clube apelou a alguns sócios, mas mesmo assim não conseguiu reunir o montante exigido. Conseguiu, porém, protelar a devolução, como veremos mais adiante. Somente em 2 de março de 1926, há exatos 90 anos, uma solução começou a se delinear. O então presidente do clube Faustino Esposel assinou um contrato com a prefeitura do Rio de Janeiro (na época, Distrito Federal) para a cessão de um terreno de pouco mais de 34 mil metros quadrados (metade de extensão atual) às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Alguns sócios rubro-negros foram contrários à aceitação do terreno, localizado numa área então sem muita infraestrutura e de difícil acesso, a qual consideravam um “areal de fim de mundo”. Para se conhecer a história dos estádios cariocas é necessário também compreender o processo histórico de ocupação de espaços urbanos na cidade do Rio de Janeiro. Naqueles meados da década de 1920, as áreas mais nobres da cidade ficavam no perímetro Glória-Catete-Flamengo-Laranjeiras-Botafogo, na Zona Sul, e na Tijuca, na Zona Norte. Mesmo bairros como Copacabana e Ipanema ainda estavam bem no início de sua urbanização. O enclave Lagoa-Gávea-Leblon (onde se encontrava o terreno cedido ao clube) ainda era, naquele começo de século XX, praticamente uma área rural, bem diferente da região altamente urbanizada e valorizada de hoje.

A CONSTRUÇÃO

Sondagem do terreno para a construção estádio da Gávea, 1934 (Foto: Acervo João Carlos Kastrup)

Sondagem do terreno para a construção estádio da Gávea, 1934 (Foto: Acervo João Carlos Kastrup)

O decreto municipal nº 3.638, publicado em 14 de novembro de 1931, oficializava a cessão por aforamento perpétuo do terreno pela prefeitura (sob o mandato do interventor federal Pedro Ernesto Baptista) ao clube, concedendo o domínio útil da área para o desenvolvimento de atividades desportivas. Pouco menos de um ano depois, em 25 de setembro de 1932, o Flamengo fazia sua última partida no estádio da Rua Paissandu, goleando o Sport Club Brasil por 5 a 0. E em 1º de janeiro de 1933, o local voltava à posse da família Guinle. Enquanto isso, o Rubro-Negro se movimentava para iniciar as obras do novo palco. Em dezembro daquele mesmo ano de 1933, José Bastos Padilha, presidente rubro-negro, pagou taxa de 497 contos de réis (uma pequena fortuna para a época) à prefeitura para viabilizar o início das obras, e logo no início do ano seguinte, o terreno era murado, conforme obrigação do decreto.

Em 9 de agosto de 1936, foi lançada a pedra fundamental do estádio da Gávea. No fim daquele ano, o complexo esportivo já contava com o campo de futebol, uma pista de atletismo ao redor deste, uma garagem de barcos e uma outra pista, para o departamento de equitação, além de jardim, área social, cozinha e restaurante. O clube também levava adiante obras de benfeitoria nas redondezas, como o calçamento da rua Mário Ribeiro (entre o clube e o Hipódromo), bem como o da Praça Pedro Ernesto (atualmente denominada Praça Nossa Senhora Auxiliadora), logo atrás de onde se situaria a arquibancada. Enquanto isso, o local já recebia os treinamentos de diversas modalidades e várias outras atividades, incluindo aulas de educação física ao ar livre para crianças, muitas delas oriundas da comunidade pobre da Praia do Pinto, situada bem ao lado do futuro estádio.

Crianças durante aula de educação física no campo da Gávea, em foto do Jornal dos Sports de 11 de junho de 1937.

Crianças participam de aula de educação física ao ar livre no campo da Gávea, em foto do Jornal dos Sports de 11 de junho de 1937.

Em 4 de setembro de 1938, o estádio era oficialmente inaugurado. O projeto do arquiteto modernista italiano Alessandro Baldassini – amigo pessoal de Bastos Padilha e que em 1933 teve rápida passagem como técnico (!) do time do Flamengo – previa o fechamento completo das arquibancadas ao redor do campo, o que deveria ser realizado a longo prazo, conforme fossem viabilizados os recursos. Além disso, ainda havia uma parte que deveria ser aterrada, para o complemento do terreno – a mureta do estádio ainda beirava a Lagoa Rodrigo de Freitas. Entretanto, com a inauguração do Maracanã, 12 anos depois, a conclusão foi aos poucos sendo deixada de lado.

Na espetacular fotografia abaixo, publicada em página dupla pela revista O Cruzeiro na edição de 30 de setembro de 1939, podemos ver o estádio com apenas um ano de inaugurado. De cara, é possível notar como boa parte do bairro ainda era repleto de terrenos baldios. Da esquerda para a direita podemos ver ainda um pedaço da comunidade da Praia do Pinto, a garagem de barcos com o nome do clube escrito em cima no pórtico; atrás dela, a pista de equitação, com os alojamentos para os animais; logo ao lado, o bar e restaurante (no mesmo local até os dias de hoje); a arquibancada e o campo de futebol, circundado pela pista de atletismo, e muito rente à lagoa. À direita é possível ver, de relance, uma parte da fachada do hipódromo, com a rua Mário Ribeiro ainda estreita (clique na foto para ampliar a imagem).

estádio da gávea - 1939 - completa

O FUTEBOL NO NOVO LAR

José Bastos Padilha, o presidente rubro-negro que tocou grande parte das obras de construção do estádio, também foi o responsável por formar um grande time. Assumindo o cargo em 1933, ano da profissionalização do clube e do futebol carioca, abriu definitivamente as portas do Flamengo aos jogadores negros, trazendo ídolos do povo como o zagueiro Domingos da Guia, o médio Fausto dos Santos e o atacante Leônidas da Silva. O trio foi o grande responsável por alavancar decisivamente a popularidade do clube, além de torná-lo novamente competitivo, buscando reconquistar o título da cidade, que não vinha desde 1927.

Naquele setembro de 1938, quando da inauguração do estádio, entretanto, o futebol rubro-negro enfrentava turbulências. Em desentendimento aberto com os métodos e decisões do técnico húngaro Dori Kruschner – trazido da Europa no ano anterior por Bastos Padilha para atualizar o estilo de jogo, mas que vinha sofrendo retaliações dos jogadores – o elenco rendia bem abaixo do esperado. Assim, o Flamengo perdeu seus dois primeiros jogos disputados no novo estádio – justamente dois clássicos para Vasco e Fluminense, ambos por 2 a 0. E Dori Kruschner acabou demitido.

Em 1939, porém, a sorte virou e na nova casa o Flamengo pôs fim ao maior jejum de sua história, com a conquista do Campeonato Carioca. E com direito a visita ilustre: em 16 de abril o presidente da Fifa, Jules Rimet, assistiu das arquibancadas à goleada rubro-negra diante do Botafogo por 4 a 1. A primeira metade dos anos 1940 também viu o Fla brilhar em seu estádio. Entre 1940 e 1945, o time venceu 49 das 56 partidas oficiais que disputou na Gávea (com três empates e quatro derrotas) e conquistou seu primeiro tricampeonato carioca, em jornadas memoráveis.

A torcida que lotou as arquibancadas da Gávea na decisão do Carioca de 1944, contra o Vasco, em foto do Jornal dos Sports.

A torcida que lotou as arquibancadas da Gávea na decisão do Carioca de 1944, contra o Vasco, em foto do Jornal dos Sports.

A confirmação do segundo título da série, em 1943, foi na Gávea: vitória de 5 a 0 sobre o Bangu (após goleada de 6 a 2 sobre o Vasco em General Severiano na semana anterior), com três gols de Perácio e dois de Pirillo. No ano seguinte, o estádio rubro-negro assistiu aos dois jogos históricos do desfecho do tricampeonato: a goleada de 6 a 1 sobre o Fluminense na penúltima rodada, e a lendária vitória de 1 a 0 sobre o Vasco, com gol de Valido aos 41 minutos da etapa final, quando foi batido o recorde de renda da competição. Nesta campanha do tri, o Flamengo jogou 25 vezes na Gávea, com 23 vitórias, um empate e uma derrota (para o America, em 1943).

Outro dado interessante é que em várias temporadas durante aquele fim de década de 1930 e começo da de 1940 o Campeonato Carioca foi disputado em três turnos, com os clubes jogando uma vez em casa, uma fora e uma em “campo neutro”. Assim, a Gávea recebeu não só jogos do Flamengo como também dos rivais. Em 1939 e 1940, por exemplo, os clássicos entre Fluminense e Vasco pelo turno neutro foram disputados lá, além de várias partidas do Botafogo e do America.

Mesmo depois da construção do Maracanã, quando até o Flamengo passou a mandar seus jogos apenas esporadicamente em seu campo, alguns rivais utilizaram a Gávea em jogos menores do Carioca. Em março de 1969, por exemplo, em virtude do péssimo estado do gramado de São Januário, o Vasco transferiu para o estádio rubro-negro sua partida contra a Portuguesa da Ilha do Governador. E em dezembro de 1974, Fluminense e Botafogo, já eliminados, fizeram lá o Clássico Vovô do terceiro turno do Carioca.

O técnico Jayme de Almeida e sua linha de ataque (Luís Carlos, Moacir, Henrique, Dida e Babá) posam durante um treino na Gávea em 1959 (Foto: Acervo Última Hora).

O técnico Jayme de Almeida e sua linha de ataque (Luís Carlos, Moacir, Henrique, Dida e Babá) durante treino na Gávea em 1959 (Foto: Acervo Última Hora).

ECLIPSADA PELO MARACANÃ

Construído para a Copa do Mundo de 1950, o Maracanã foi juntamente com o Pacaembu (dez anos mais velho) um dos precursores da tendência à abertura de estádios municipais de grande porte no país, estimulada especialmente durante o período da ditadura militar. Assim, vários clubes de muitas capitais brasileiras deixaram de lado seus pequenos estádios particulares para mandarem seus jogos nos novos e suntuosos palcos. O Mineirão é outro bom exemplo: Atlético, Cruzeiro e América mineiros eram donos, respectivamente, dos estádios da Colina, do Barro Preto e da Alameda. Todos abandonados em meados dos anos 1960, quando os clubes aderiram ao grandioso Estádio Minas Gerais. Assim aconteceu também no Rio de Janeiro. O gráfico abaixo mostra o número de partidas que o Flamengo fez na Gávea a partir de 1950 (clique na imagem para ampliar).

flamengo - jogos na gávea - atualizado e corrigido

Se nos anos 1950 e 1960 o Flamengo alterna momentos em que jogou mais ou menos vezes em seu estádio, na década de 1970 e começo da de 1980, a Gávea é utilizada quase exclusivamente para treinos. Aliás, é interessante notar que justamente durante as gestões Gilberto Cardoso (de 1951 a novembro de 1955) e Fadel Fadel (de maio de 1961 a março de 1966) o time usou majoritariamente o Maracanã. Entre 1971 e 1987, apenas uma partida oficial foi disputada no estádio: uma vitória de 3 a 0 sobre o Americano pela Taça Rio, em novembro de 1982, aproveitando uma estrutura temporária de arquibancadas tubulares montada no final de setembro para um show do cantor espanhol Julio Iglesias.

O mesmo tipo de estrutura voltaria a ser utilizado a partir de 1988, ano em que o clube fez nova aposta em sua casa para jogos de menor porte, até 1997, quando faz sua última partida até o momento no local (vitória de 3 a 0 sobre o Americano em 27 de abril). Vale também lembrar que nesta época a parte administrativa do Flamengo também já havia sido transferida dos edifícios da Avenida Ruy Barbosa (concluídos no começo dos anos 1950, ao pé do Morro da Viúva, na praia do Flamengo) para o endereço atual. Em 17 de novembro de 1984 é lançada a pedra fundamental para que enfim seja levantada a sede da Gávea, inaugurada dois anos depois. Agora, corpo e alma do Fla estão no mesmo lugar.

A Gávea também já recebeu jogos oficiais de competições nacionais. Em 1989, sediou o primeiro jogo da história da Copa do Brasil, na tarde de 19 de julho, quando o Rubro-Negro venceu o Paysandu por 2 a 0. Ao todo, foram cinco partidas pelo torneio e outras cinco pelo Campeonato Brasileiro – em 1991, o Fla derrotou o futuro campeão São Paulo no estádio. No vídeo abaixo, uma compilação de jogos e gols do Fla na Gávea no período mais recente de utilização frequente de seu campo.

NÚMEROS E CURIOSIDADES

Pirillo, o goleador do estádio.

Pirillo, o goleador do estádio.

Somadas todas as partidas desde 1938 até 1997, foram 203 jogos oficiais disputados pelo Fla no estádio, vencendo 167, empatando 20 e perdendo 26. Além disso, foram 19 jogos não-oficiais, com 10 vitórias, três empates e seis derrotas. A maior goleada foi um 10 a 1 diante do Bonsucesso, aplicada em 13 de outubro de 1945 pelo Campeonato Carioca. E o maior goleador rubro-negro no estádio é de longe o gaúcho Pirillo, que marcou 71 vezes entre 1941 e 1947. Em seguida vêm Zizinho (45 gols entre 1940 e 1949), Perácio (35 gols entre 1942 e 1947), Romário (31 gols entre 1995 e 1997) e Leônidas, fechando o top five (22 gols entre 1938 e 1940).

Pirillo também é o maior artilheiro rubro-negro em um jogo na Gávea, com os cinco gols que marcou na vitória de 8 a 5 sobre o America, em setembro de 1942, ao lado de Dida, autor de outros cinco na goleada de 8 a 0 sobre o Olaria em agosto de 1958. Cinco jogadores marcaram quatro num mesmo jogo: Leônidas (6 a 0 no São Cristóvão em novembro de 1940), o ponta Adílson (6 a 2 no Bangu em agosto de 1945), Zizinho (5 a 4 no Madureira em agosto de 1948), Bebeto por duas vezes (6 a 0 no Goytacaz em maio de 1988 e 8 a 1 no Nova Cidade em abril de 1989) e Romário (4 a 1 no Olaria em maio de 1996).

QUAL O FUTURO DO ESTÁDIO DA GÁVEA?

Comparado com o que era quando da inauguração, o estádio rubro-negro é hoje bem menos imponente. Já é ofuscado pela própria fachada da sede, ocupando timidamente seu lugar de sempre – ou quase sempre, já que nos anos 60, quando da duplicação da rua Mário Ribeiro, entre o clube e o hipódromo, o Flamengo perdeu alguns metros da lateral de seu terreno e o gramado foi ligeiramente deslocado, deixando um pouco torta a arquibancada em relação ao campo. Além disso, ganhou novos vizinhos, com a construção de um conjunto de edifícios de classe média alta popularmente conhecido como Selva de Pedra no terreno da antiga favela da Praia do Pinto, extinta após um incêndio – para alguns, criminoso – em 1969.

E são exatamente as várias entidades representativas dos moradores do Leblon, bairro limítrofe de classe alta, que vêm sendo há mais de uma década o principal entrave burocrático para que o clube volte a mandar jogos em seu estádio – mesmo a arena de basquete, de proporções menores do que um eventual estádio de futebol reformado, vem sendo embargada a não mais poder. Alegam os responsáveis por essas associações que a realização das partidas altera substancialmente o tráfego de veículos e pessoas não só no entorno do estádio como por toda a região.

Esquecem-se, porém, de que o Flamengo chegou àquele areal de fim de mundo antes de qualquer condomínio residencial gigantesco. E que impedir os jogos na Gávea é contrariar a essência do contrato original de cessão do terreno: o clube está lá para desenvolver atividades esportivas, e construiu seu estádio justamente com esta finalidade única. Sem falar em sua contribuição, lá atrás, com melhorias infraestruturais para a área, além de atrair para a Gávea a grife Flamengo. Pode-se dizer com muito mais acerto que o bairro tem uma dívida com o clube, em vez do contrário.

flamengo google earthHá ainda a problemática da configuração atual do estádio. O descaso de décadas impediu que fosse completado o projeto original, e a área foi sendo ocupada por outras modalidades dentro do clube. Fora a velha arquibancada de cimento, não há tanto espaço ao redor. Mesmo quando se pensa em um estádio de pequeno porte, apenas para partidas das categorias de base ou jogos contra times menores, pode ser necessário um grande exercício de engenharia para fazer com que tudo caiba a contento. Por outro lado, os vestiários foram reformados e o gramado vem recebendo cuidado permanente desde a passagem da delegação da Holanda, que se preparou no clube para a Copa do Mundo de 2014.

Por fim, há ainda a concorrência com outras alternativas, das mais grandiosas – administrar o Maracanã por conta própria – às mais modestas – aceitar um terreno na Baixada Fluminense e construir outra casa para o futebol por lá. Num meio termo, há a hipótese de se construir ou adaptar algo na Barra da Tijuca. A cidade do Rio de Janeiro dispõe de um sistema e uma estrutura de transportes que ainda estão bem longe do ideal, o que dificulta bastante qualquer projeto de nova arena. Enquanto isso, a velha arquibancada mira de longe a Lagoa, em compasso de espera.

sede gávea por dentro

Anúncios