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Manchete do Jornal dos Sports de 11 de março de 1942 anunciando o Fla-Flu "paulistano".

Manchete do Jornal dos Sports de 11 de março de 1942 anunciando o Fla-Flu “paulistano”, com destaque para os rubro-negros Zizinho e Pirillo.

E cá estamos nós novamente falando de Fla-Flu. O motivo desta vez é a realização do próximo clássico – dia 20 de março pela Taça Guanabara – no tradicional palco paulistano do Pacaembu. O fato, entretanto, não é novidade: em 12 de março de 1942 (ou seja, completando 74 anos amanhã), o duelo mais famoso do futebol carioca foi disputado no estádio, então com menos de dois anos de inaugurado, em partida válida pelo Torneio Quinela de Ouro, que reunia as três principais forças da capital bandeirante – São Paulo, Corinthians e Palestra Itália, atual Palmeiras – e a dupla carioca, hegemônica no futebol da Guanabara naquele período. Foi a primeira vez em que rubro-negros e tricolores se enfrentaram fora da cidade do Rio de Janeiro.

O jogo estava marcado originalmente para a quarta-feira, 11 de março, mas um dilúvio na cidade de São Paulo provocou seu adiamento para a noite seguinte. Não adiantou muito, já que a chuva persistiu e alagou o gramado em vários pontos. Às 21h30 da quinta, a bola iria (tentar) rolar. Havia grande expectativa da torcida paulista, já que os dois clubes traziam vários de seus astros. Pelo lado do Flamengo – mesmo sem Leônidas, em litígio com o clube – havia Domingos da Guia, Zizinho, Jayme de Almeida, Pirillo, Biguá, Perácio, Vevé, entre outros. Da parte tricolor, vieram o goleiro Batatais, o zagueiro Machado, o ponta Carreiro, além de nada menos que cinco argentinos (entre eles o zagueiro Renganeschi, futuro técnico do Fla campeão carioca em 1965).

Porém, a forte chuva afastou o público do estádio: apenas cerca de sete mil espectadores passaram pelas bilheterias do Pacaembu, que mesmo assim registrou renda um tanto expressiva, mais de 30 contos de réis (segundo a revista Esporte Ilustrado, os cartolas paulistas não permitiram novo adiamento, temendo “marmelada” entre os rivais cariocas caso a partida fosse transferida para o fim do torneio). Antes do início do jogo, a diretoria do São Paulo homenageou os dois clubes com uma placa comemorativa do primeiro clássico carioca realizado na capital paulista.

Igualmente prejudicada pela chuva que encharcou o gramado, deixando-o cheio de poças d’água, a partida não teve bom nível técnico (a mesma Esporte Ilustrado apelidou o clássico de “Fla-Flu Aquático”). Mostrando mais conjunto, o Fla atacou mais no primeiro tempo e o rival teve certo domínio no segundo, mas na análise do jornal paulistano Folha da Manhã, “em geral, o Flamengo foi superior a seu adversário e merecia ter vencido”. Pirillo e Vevé perderam boas chances na etapa inicial e, se o duelo terminou sem gols, o placar final de escanteios foi amplamente favorável aos rubro-negros: 9 a 0. Na segunda parte, a partida – apitada pelo paulista Carlos de Oliveira Monteiro, o Tijolo – ficou mais “pegada”, culminando na expulsão de Pirillo e do centromédio tricolor Spinelli – cuja rivalidade dentro de campo, já velha conhecida do futebol carioca, também foi levada a São Paulo.

O Flamengo cumpriu boa campanha no torneio – ao qual a imprensa da época também se referia como “Rio-São Paulo” – terminando invicto também diante dos clubes paulistas: venceu o São Paulo por 2 a 1 no dia 18; empatou em 1 a 1 com o Corinthians no sábado, 21; e voltou a empatar, dessa vez por 2 a 2, com o Palestra Itália no dia 25. O título, no entanto, acabou com o time do Parque São Jorge, que bateu os palestrinos por 4 a 1 na última partida. O Tricolor carioca, ao contrário dos rubro-negros, não foi bem e terminou na lanterna da competição, com apenas dois pontos.

O bom desempenho no pentagonal credenciou o Fla a despontar como forte candidato ao título do Rio, o qual acabaria conquistando e dando início ao primeiro tri carioca de sua história. E o Pacaembu ainda viria a ser palco de outras grandes exibições rubro-negras em solo paulistano.

FLAMENGO 0 x 0 FLUMINENSE

Pacaembu (São Paulo), quinta-feira, 12 de março de 1942.
Torneio Quinela de Ouro (também chamado na época de “Rio-São Paulo”).
Renda: 30:810$600 (trinta contos, oitocentos e dez mil e seiscentos réis).
Árbitro: Carlos de Oliveira Monteiro, o “Tijolo”.
Expulsões: Pirillo (FLA) e Spinelli (FLU), aos 20 minutos do segundo tempo.

Flamengo: Martinho; Domingos da Guia e Newton Canegal; Biguá, Volante e Jayme de Almeida; Pirombá, Zizinho (Nandinho), Pirillo, Perácio e Vevé. Técnico: Flávio Costa.

Fluminense: Batatais; Machado e Renganeschi; Bioró, Spinelli e Amaury; Cussati, Magnones (Helmar), Russo (Norival), Juan Carlos e Carreiro. Técnico: Ondino Viera.

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